August 25, 2019

Pode uma final ser muito surpreendente e completamente previsível ao mesmo tempo? A vitória neste domingo por 24-10 dos Denver Broncos frente aos Carolina Panthers foi exatamente isso.

Os Panthers entraram como os favoritos à chegada ao Super Bowl, depois de uma época regular impressionante em que terminaram com um registo de 15 vitórias e apenas uma derrota. Mesmo assim, entraram nos playoffs com alguma aura de desconfiança. Depois, toda essa desconfiança foi eliminada com duas vitórias explosivas frente aos Seattle Seahawks e aos Arizona Cardinals. Assim, Cam Newton e os Panthers chegaram ao jogo de Domingo com a confiança no máximo. Todos os indicadores apontavam para uma vitória dos homens de Ron Rivera.

 

Bem, todos menos um. Tradicionalmente, a melhor defesa tende a ganhar o Super Bowl. E, ao longo de toda a temporada e durante os playoffs, os Broncos mostraram sempre ter a melhor defesa. Os Panthers têm, estatisticamente, a segunda defesa, e a verdade é que fizeram também um bom trabalho na final. Mas a defesa dos Broncos esteve completamente noutro nível. Depois de terem destruído completamente a confiança de Tom Brady na final de conferência contra os New England Patriots, a linha defensiva fez exatamente o mesmo com Cam Newton.

 

Na minha previsão do que iria acontecer na final, previ que a maior arma da defesa dos Broncos era o pass rush lateral (contornando os mais pesados elementos no centro da linha ofensiva adversária) liderado por Von Miller e DeMarcus Ware. Mas também que a variedade ofensiva do rushing game dos Panthers iria tornar essa pressão no quarterback relativamente nula. Não podia estar mais enganado.

Cam Newton nunca esteve tão desconfortável em campo em mais nenhum jogo esta temporada – e o grande culpado foi Von Miller, o MVP do Super Bowl. Quando Miller forçou um fumble a Cam que originou no primeiro touchdown do jogo e uma vantagem de 10-0 para os Broncos, o plano de “ataque” de Denver ficou claro como a água. Mais tarde, depois dos Panthers terem conseguido voltar a entrar no jogo e alimentar alguma esperança de uma recuperação, foi também Miller quem arrancou a bola das mãos de Cam Newton numa jogada no quarto período que acabou por levar ao segundo touchdown dos Broncos e essencialmente selou a vitória. Von Miller tornou-se apenas o 10º jogador defensivo a levar para casa o troféu de MVP do Super Bowl e fê-lo com uma exibição historicamente boa.

 

Numa nota final, mais ninguém estará tão grato pela exibição de Von Miller do que o seu quarterback Peyton Manning, que conseguiu o seu segundo anel de campeão. Com 39 anos e um corpo gradualmente a impedi-lo de ser tão dominador como foi em tempos, Manning teve uma exibição apenas sólida. Seria até uma exibição da qual ninguém falaria, se não fossem as suas implicações históricas. Quando Brett Favre se reformou com 199 vitórias na sua carreira, foi um recorde que se pensou impossível de bater. Com a vitória neste Super Bowl, Manning tem 200. Mais um recorde numa carreira recheada de recordes – literalmente demasiados para enumerar sem tornar este artigo numa tese de mestrado. Considerando que todos esperam que Peyton Manning anuncie a sua reforma a qualquer dia, este não podia ter sido um final mais perfeito para uma carreira que deixa um legado incomparável na NFL.

 

Pedro Quedas

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