December 10, 2018

 

Depois da péssima prestação no Mundial 2018, a Alemanha continua em maus lençóis e foi relegada para a Divisão B da Liga das Nações. Já a Holanda, depois de falhar o último Europeu e Mundial, parece determinada a voltar ao topo! 

 

Algo de muito mau parece estar a acontecer com a Selecção Alemã nos últimos tempos. Depois da conquista do seu 4º Mundial, em 2014, no Brasil, a Selecção comandada por Joachim Löw tem vindo a piorar a olhos vistos.

 

No Europeu de 2016, a Mannschaft foi eliminada pela Selecção anfitriã, a França, por 2-0, nas meias-finais da prova. Um ano depois, com um plantel bem mais jovem, conseguiram pela primeira vez na sua história conquistar a Taça das Confederações, o que parecia indicar que os alemães, mesmo com a retirada de jogadores experientes, como Phillip Lahm, Miroslav Klose, Lukas Podolski ou Bastian Schweinsteiger, seriam sempre um dos principais candidatos a vencer todas as competições.

 

Mas, no ano seguinte, na Rússia, tudo correu mal à Selecção Alemã. Começando pela polémica de Mesut Özil (que, mais tarde, levou à retirada internacional por parte do médio do Arsenal) e Ilkay Gündogan, com o presidente turco Recep Tayyip Erdoğan, quando surgiu uma foto, onde apareciam os três. Como se sabe, ambos os jogadores têm dupla nacionalidade (alemã e turca) e essa publicação desagradou a grande parte dos alemães.

 

Gündogan, Özil e Erdogan

 

Mais uma evidência dos problemas da Mannschaft, foi a escolha de Manuel Neuer como titular em todos os jogos, mesmo sabendo que apenas tinha feito 4(!) jogos pelo Bayern München no decorrer da época 2017/18, devido a uma lesão, em detrimento de Marc-André Ter Stegen, que tinha feito uma época bastante positiva. O guardião do Barcelona, afirmou mesmo que estava descontente com a escolha de Joachim Löw.

 

A não-inclusão de Leroy Sané nos 23 convocados para o Mundial 2018, também “caiu” muito mal aos alemães. Depois de uma grande época no Manchester City, o extremo alemão ficou a ver o Mundial em casa, com Löw a optar por Julian Brandt, Leon Goretzka ou até por Marco Reus, que tem vários problemas com lesões e apenas fez 15 jogos, na época 2017/18.  No Mundial 2018, a Alemanha perdeu 2 dos 3 jogos, frente ao México e Coreia do Sul (na última jornada, quando os sul-coreanos, já estavam praticamente eliminados!) e contra a Suécia, venceram por 2-1, depois de terem estado em desvantagem e com um golo de Marco Reus, no último minuto do encontro. Com este péssimo registo, acabaram em último lugar no grupo e as críticas foram bastantes, como é natural.

 

Na nova Competição (Liga das Nações), a Alemanha calhou no grupo A, com a Holanda e a campeã Mundial, França. A má fase continuou e a Mannschaft, apenas fez 2 pontos em 12 possíveis, não venceu qualquer jogo e acabou relegada, para a Divisão B! As dificuldades foram notórias para a equipa de Löw, que já entrou em campo no último jogo, a saber que ia descer, não conseguindo segurar uma vantagem de 2-0 e acabando por “oferecer” o apuramento à Holanda para a Fase Final.  Com isto, os germânicos estão em 14º no Ranking FIFA (25 de Outubro de 2018) e estão em risco de perder a condição de cabeça-de-série, para a qualificação para o Euro 2020. Basta apenas que a Polónia consiga pontuar no jogo frente a Portugal, que será disputado em Guimarães.

 

Seja como for, é, de facto, um ano para esquecer para a Selecção Alemã, que precisa urgentemente de mudar algo. Jogadores como Sami Khedira, Ilkay Gündogan, Manuel Neuer ou até Thomas Müller, podem não durar muitos anos numa Selecção que precisa de “sangue novo”, para tentar dar a volta por cima. E, por vezes, este tipo de Selecções de topo, “precisam” mesmo de uma má fase, para evoluirem mais tarde. Aconteceu com a própria Mannschaft, depois do autêntico desastre no Euro 2000 (levaram um autêntico banho de bola dos suplentes de Portugal, com um fabuloso hattrick de Sérgio Conceição!) ou até o caso mais recente, da Selecção francesa, que em 2010, chegou a estar na 26ª posição e, entretanto, já venceu o Mundial (2018) e foi finalista do Europeu (2016).  Jogadores como Leon Goretzka, Timo Werner (pode ser complicado o seu futuro, devido ao problema auditivo que tem, podendo impedi-lo de disputar jogos importantes e com uma atmosfera intensa), Leroy Sané, Joshua Kimmich, entre outros, deverão ser os grandes pilares, no futuro, da Selecção Alemã.

 

Já o Seleccionador, Joachim Löw, apesar do ano péssimo que teve, continuará na Selecção até, pelo menos, o Euro 2020. Será, muito provavelmente, a última grande oportunidade do Seleccionador que está na Mannschaft desde 2004 (até 2006, como assistente de Jürgen Klinsmann e, a partir daí, como Seleccionador principal).

 

A fazer o caminho inverso e, claramente, em grande forma, está a Selecção um lugar abaixo da Alemã, no Ranking FIFA: A Laranja Mecânica. A Selecção é comandada por Ronald Koeman, desde Fevereiro deste ano, depois de mais uma página negra na história da Laranja Mecânica ao falhar o Mundial 2018 e, dois anos antes, o Europeu, sabendo ainda que era o primeiro com 24 Selecções! Nada normal numa Selecção que já foi, para muitos, uma das melhores da História, apesar de nunca ter vencido um Mundial e apenas ter conquistado um Europeu, em 1988.

 

A 15ª posição por parte dos holandeses, até parece não ser “nada de especial”, mas temos de ter em conta que há pouco mais de um ano, os holandeses atingiram a pior classificação de sempre, nesse Ranking, com um 36º lugar. Desde então, têm vindo a subir e o futuro parece risonho para a Holanda, com jogadores jovens como Matthijs de Ligt, Frenkie de Jong, Donny van de Beek, Kenny Tete, Tonny Vilhena ou Justin Kluivert, filho de uma ex-lenda holandesa. A maior parte destes jogadores, têm vindo das, muito conhecidas, escolas do Ajax, que parecem, novamente, apresentar mais uma grande fornada de jogadores jovens.  O capitão tem apenas 27 anos e trata-se de um dos melhores (ou, para muitos, mesmo o melhor!) defesas centrais da actualidade: Virgil van Dijk, que assinou pelo Liverpool, no fim do ano passado, por quase 85 milhões de Euros!

 

Virgil van Dijk

 

Os holandeses, mostraram boa réplica no início da Liga das Nações, frente aos campeões Mundiais, logo no primeiro jogo, mas perderam por 2-1 em França. Depois disso, a Selecção Holandesa embalou para dois grandes jogos de futebol, conseguindo duas expressivas vitórias em casa: 3-0 frente à Alemanha e 2-0 contra a França, com grandes exibições de van Dijk, do seu companheiro, também, no Liverpool, Wijnaldum e ainda, de Memphis Depay, que parece estar novamente em grande forma, depois da má fase que passou em Manchester.  Na última jornada, a Selecção comandada por Ronald Koeman necessitava de pontuar, na Alemanha, para ultrapassar a França na qualificação e seguir para a Fase Final da Liga das Nações, que se realizará em Junho, em Portugal, nas cidades de Guimarães e do Porto.

 

O jogo não começou nada bem para os holandeses e aos 20 minutos, já perdiam por 2-0, com golos de Timo Werner e Leroy Sané, mas a Laranja Mecânica nunca baixou os braços e aos 85 minutos, conseguiu reduzir, após um grande remate do avançado do Sevilla, Quincy Promes.  No fim, com a Holanda a dar o tudo por tudo, a táctica que Ronald Koeman utilizou para os minutos finais, resultou em cheio, com van Dijk, na posição de ponta-de-lança, a fazer o empate e a qualificar a Holanda para a Fase Final da Liga das Nações!

 

Holanda táctica

 

Depois desta, para muitos inesperada, qualificação, a Holanda junta-se à Suiça, a Inglaterra e a Portugal, na Fase Final da Liga das Nações, que se realizará em Junho de 2019. O sorteio das meias-finais será definido no dia 3 de Dezembro, em Dublin.

 

Como Português, espero que esta excelente fase da Holanda não resulte na conquista do 1º Troféu desta Liga das Nações!

 

Miguel Palha

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