August 25, 2019

Um resumo rápido daquilo que se viu em 2014 por esses campos ‘afora pá’.

 

FUTEBOL

Campeão Espanhol > Atlético de Madrid

Campeão Inglês > Man City

Campeão Alemão > Bayern de Munique

Campeão Francês > PSG

Campeão Português > Benfica

 

Campeão do Mundo > Alemanha

Campeão Europeu > Real Madrid

Vencedor Liga Europa > Sevilha

Vencedor Libertadores > San Lorenzo

 

 

NUESTROS HERMANOS

Pelo balompié, algumas novidades e a confirmação de velhas máximas: no final de contas vai ganhar alguma coisa que fale Alemão e os espanhóis do Real Madrid tanto nos venderam La Decima pelos olhos dentro que a coisa lá se deu, em pleno Estádio da Luz, palco que acolheu a final da 59ª edição da Champions League.

 

Na retina ficou também a extraordinária campanha do outsider Atlético de Madrid, que contra tudo e contra todos (inclusive José Mourinho) garantiu lugar de destaque na Europa do Futebol, na qual poucos vaticinariam uma final totalmente espanhola. Lisboa parou, Ronaldo e Tiago aterraram e, durante quase duas horas de futebol rasgado (nem sempre bem jogado), deram o que tinham e o que não tinham. Sorriu por último o madeirense, confirmando uma superior performance continental (o Real já tinha perdido hipóteses de se sagrar Campeão em Espanha).

 

Na BBVA, a consistência e liderança da dupla Simeone/Burgos fez-se sentir durante a maior parte da época. Diga-se em abono da verdade que o Atlético, esse outsider, não deu a mínima hipótese à concorrência. Jogadores como Diego Costa, Filipe Luís, Courtois, Turan, Koke, Raúl Garcia, Tiago e sobretudo os centrais Godín e Miranda revelaram-se osso impossível de roer para a concorrência interna. Simeone perdeu apenas quatro jogos a época passada, empatando e ganhando nos dérbis da capital e empatando por duas vezes contra o Barcelona. Geriu a vantagem ao ponto de ter conquistado dois pontos nas últimas três jornadas e, em pleno Nou Camp, fez aquilo que melhor sabia: lutou, lutou e continuou a lutar. 1-1 e estava encontrado, por três pontos, o actual detentor do Campeonato Espanhol.

Registo ainda para a melhor defesa da Competição (26 golos sofridos) e para o terceiro melhor ataque (superado pelos colossos Barcelona e Real Madrid, com 100 e 104 golos, respectivamente).

Um onze base sólido, uma gestão cuidada do plantel e recursos (os colchoneros venderam Só Falcão e DeMichelis durante o anterior defeso) e, mais do que nunca a visão e determinação de Simeone (e Burgos!) fizeram deste Atlético um dos motivos de maior interesse no pachorrento e bicolor Campeonato Espanhol.

 

UP WHERE THE SUN DOESN’T SHINE SO MUCH

A Premier que já lá vai, tal como o Campeonato Espanhol, foi apimentada por algumas surpresas de meter respeito.

Destaque imediato para o Liverpool, o mais laureado clube inglês da actualidade (continentalmente falando não dá hipótese ao Man Utd…) que Não procurava nem nunca assumia a candidatura ao título.

 

A táctica empregue por Brendan Rodgers, que tinha tido sofríveis épocas de adaptação a Merseyside, veio a revelar-se um must see para os adeptos de bom Futebol. De matriz declaradamente ofensiva, com o tridente Sturridge-Suárez-Sterling a encarregar-se de ‘massacrar’ as defesas adversárias, o bloco scouser praticou espectacular e entusiasmante Futebol, mesmo descontando o free pass das Competições Europeias (que teve a sua importância, tal como teve o facto de Suárez não ter estado disponível durante as primeiras dez jornadas e ainda assim ter-se sagrado Melhor Marcador dos Campeonatos Europeus…) que quase foi recompensado não tivesse Steven Gerrard, naquele jogo contra o Chelsea, tê-la feito ‘mais que bonita’, numa escorregadela que ainda hoje deve fazê-lo tombar quando se levanta a meio da noite para mijar.

 

O Liverpool, o Chelsea, o City, aqui e ali o Arsenal iam tomando e trocando as rédeas da Premier. Estilos diferentes, filosofias bem distintas. A sorte e a fortuna dos blues, a inacreditável época de Yaya Touré no City, o meio-campo de ferro de Anfield (a aposta pessoal de Rodgers em Henderson, a recuperação de Joe Allen, Coutinho como alguém a seguir para o escrete…) atrás do tridente de ‘bombardeiros’, as séries de jogos a vencer do Arsenal que, invariavelmente, deitava tudo a perder nos confrontos contra as melhores equipas.

 

Os jogos contra o Everton (um 3-3 no derby local, um 1-1 contra o Arsenal) foram dos melhores, com Ross Barkley a sugerir «traços de Paul Gascoigne», na opinião do treinador dos toffees Roberto Martínez, na post match contra o Arsenal.

 

Mourinho também deu lições tácticas, uma delas contra o City – naquele que terá sido o melhor jogo de Matic com a camisola dos blues – em que Touré não se viu e Pellegrini se viu armadilhado e forçado a jogar com DeMichelis no meio-campo.

Um 0-1 que deixou sérias marcas nos citizens que, ainda assim, no Etihad, sem Gerrard e Sturridge do outro lado, aplicaram um 2-1 no Liverpool no Boxing Day. Este foi o jogo que confirmou o Liverpool como legítimo candidato a um título que lhe ficaria a matar.

 

Até à penúltima jornada, em que um 0-3 contra o Crystal Palace – alguém encomendou uma dose de ‘very typical Premier League?’ – terminou definitivamente com estas aspirações. Em onze míseros minutos tudo aconteceu. Suárez chorou baba e ranho. Gerrard empurrou jornalistas. E o City passava para a frente…

 

Destaque para as contratações de Bony (Swansea, 24 golos), Lovren (Southampton) e, nos grandes, seria triste não se falar de jogadores como Willian (Chelsea) ou mesmo Fernandinho (City).

Quanto aos jogadores com nota mais, estão lá Suárez (mais do que os golos, as oportunidades que criou), Hazard (numa época menos intermitente que a anterior, tem vindo constantemente a subir e a tornar-se mais influente no esquema de Mourinho), Gerrard (posicionamento redefinido por Rodgers) e, porque não dizê-lo, a nova injecção de confiança de John Terry.

 

Quanto aos treinadores, parece-nos óbvio – apesar de olvidável com um piscar de olhos… – sugerir o nome de Brendan Rodgers, que provou por Treino + Prata da Casa que ninguém precisa de gastar fortunas para chegar ao topo.

Nunca soube corrigir os erros defensivos da equipa, o que lhe veio a sair muito, mas muito caro!

Menção para Roberto Martínez pelo trabalho que fez (e tem vindo a fazer) à frente dos destinos do Everton. Quanto a David Moyes, é melhor ficarmos por aqui não é?!

 

ICH BIN EIN MÜNCHENER!

A missão de Pep, recentemente aterrado no banco do (então) Campeão Europeu, antevia-se de duas formas:

 

  1. a) ou não metia a carne toda na Bundesliga e apostava forte na Europa
  2. b) ou metia a carne toda em todo o lado e logo se via no que dava

 

Acabou por ser um híbrido. O Bayern vinha com impressionantes registos ‘caseiros’ dos tempos de Heynckes. O catalão não foi de modas: perdeu três jogos, sendo que foi derrotado por duas vezes seguidas quando já tinha garantido o título (em Augsburgo por 1-0 e em casa contra o Dortmund, por 0-3). Aplicou chapa 4 por cinco vezes e ganhou por manita três. A marcar três golos? Seis jogos. Tudo isto trocado em performance ofensiva? 94 golos no total do Campeonato que se traduziram em 90 pontos. Deixou o Dortmund a dezanove. Obteve melhores números a jogar fora do que em casa (marcou bem mais e sofreu menos). Quanto a recordes, porque o Futebol hoje é mais isto que outra coisa, bateu quase todos os ditados pelo time trial: foi Campeão logo em Março, à 27ª jornada, faltavam ainda sete jogos por disputar.

 

Foi aqui que começou a avaria do reloj de Pep, que ainda levava com críticas do ‘alto comissariado’ germânico, nem sempre satisfeito com o futebol mastigado e cerimonioso praticado por atletas ‘impacientes’ como Robben, Ribéry, Kroos ou Müller.

Talvez desabituados de tanta geometria espalhada pelo gramado, nada podiam apontar à campanha Europeia do Bayern, que defendia o seu título. Guardiola, experiente, conhecedor e ex-vencedor da Competição, tinha equipa, estilo de jogo, motivação extra e ganas de mostrar serviço a um país que não era o seu.

 

Deu-se muito bem na fase de warm up e quando chegou o mata-mata o Espanhol encontrou, nos oitavos, o Arsenal, com quem tinha perdido um jogo em 2013 num escaldante 0-2 a que o Bayern só sobreviveu devido ao golo marcado fora (1-3 no Emirates). Pas de problème. Um 0-2 no Emirates e um 1-1 chegaram para as encomendas de Pep. Next…

 

O Utd de David Moyes. Sempre perigosíssimo este Moyes na Champions! Ainda mais limpinho, 1-1 em Manchester e 3-1 em Munique. Mandzukic, Schweinsteiger, Rafinha, todos davam uma ajudinha. Agora é que a coisa ia morder: nas meias-finais o Real Madrid de Ancelotti, Ronaldo e Fábio Coentrão prontíssimo para marcar Robben. Howard Webb não viu algumas coisas, mas viu Benzema fazer o gosto ao pé no Bernabéu.

Em Munique tudo seria diferente de Tudo o que já vimos até hoje acontecer ao Bayern. Foram quatro batatas lá para dentro, com o apito de Pedro Proença e tudo. O Bayern ficava dois jogos sem marcar, a sofrer cinco golos, com dois bis, um de Ramos e outro de Ronaldo. Xabi Alonso veria o amarelo que o retirava da final de Lisboa. 0-4, ficava por aqui o sueño de Guardiola em revalidar o título europeu dos ‘Alemões’. A Champions viajava para Espanha, já que em Londres o Atlético de Madrid também fazia outra estória, com final infeliz para José Mourinho…

 

Ainda assim, referência para algumas inovações promovidas por Guardiola, não só no plano táctico como também no espectro mediático/’cosmético’ da coisa: o Bayern foi jogar amigáveis em pleno período de competição (levou três secos do Salzburgo), fez um passeio por Doha na pausa de Inverno e ainda ganhou o prestigiadíssimo (e deveras competitivo) Mundial de Clubes. Táctica? Perguntem ao Lahm que ele logo vos diz…

Sai um ‘satisfaz pouco’ para Guardiola ó sff…

 

OH MON DIEU DE LA FRANCE, DONNEZ-MOI DE LA…

Sobre clubes que pouco ou nada nos dizem recusamo-nos a escrever!

 

TUDO A SALTAR, TUDO A SALTAR!

O Benfica, não jogando um futebol espantoso como se vira noutros plantéis de Jorge Jesus, ganhou banco, tapou buracos na defesa (Siqueira e mais tarde Oblak) e partiu para uma época memorável, como já não se via desde finais dos anos 80. Luisão e Garay foram o esteio de uma equipa que sabia exactamente em que fases do jogo espernear-se e dar a estocada final. Lazar Markovic foi peça-chave no esquema de Jesus e, a par de William Carvalho, um dos melhores jogadores do nosso Campeonato, que terminaria com os encarnados em primeiríssimo lugar, seguidos pelo Sporting, a sete pontos e um irreconhecível FC do Porto a treze.

 

Nos grandes jogos, houve Benfica quando mais foi preciso. Em Alvalade Markovic sacou jogada de sonho e mostrou-se aos portugueses e, daí para a frente, não mais o Benfica voltaria a tombar. Aliás, perdeu apenas dois jogos dos 30 que compreende o Campeonato, ambos por 1-2 e em visitas aos Barreiros e ao Dragão, já com o título resolvido.

 

Na Taça de Portugal, competição que há muito escapava aos discípulos de Cosme Damião, houve espectáculo num fantástico 4-3 que eliminou o Sporting e um 3-2 acumulado frente ao Porto que recolocou os de Jesus na rota do Jamor. Encontrariam pela frente o sensacional Rio Ave de Nuno Espírito Santo, outra das agradáveis surpresas do Campeonato, de futebol positivo, sem medos nem cerimónias.

Nico Gaitán foi o herói da ‘Festa da Taça’. Segundo troféu da época para o Sport Lisboa e Benfica.

 

Quanto à Taça da Liga, mais do mesmo. Fase de grupos resolvida sem sobressaltos e o FC do Porto a bloquear acesso à final. A sorte que não quis nada com o Benfica na época anterior sorriu aos encarnados: 4-3 após grandes penalidades e rendez-vous em Leiria contra o Rio Ave. Rodrigo e Luisão marcaram os golos de uma Taça que já podia ser pintada de vermelho e branco. Terceiro caneco da saison para os comandados de Jesus.

 

Na Champions League, num grupo com PSG, Olympiacos e Anderlecht, o Benfica fez dez simpáticos e insuficientes pontos, dado que ‘ofereceu’ a passagem à fase a eliminar aos do Pireu. Um 1-1 na Luz (num jogo para esquecer) e um inglório 1-0 fora (show de Roberto!) fizeram com que o Benfica tivesse de carpir mágoas na Europa League, competição da qual era vice-campeão em título. Da Champions pouco mais há a recordar, tirando o facto de Djuricic ter marcado num jogo contra o Anderlecht. Esse mesmo. Filip Djuricic.

 

Na Europa dos ‘piquenos’, a ordem foi para… enxotar. Primeiro o PAOK de Katsouranis (expulso e aplaudido na Luz), num acumulado de 4-0, depois o Tottenham de Tim Sherwood com fantástica exibição no White Harte Lane a entorpecer a equipa no jogo de volta na Luz (com alguns lances polémicos, o acumulado é que conta e esse foi de 5-3), logo de seguida o AZ Alkmaar (3-0, sem golos sofridos, sem problemas, Lima a facturar sempre que era preciso, André Gomes era nesta fase da época um titular quase indiscutível no Benfica Europeu) e mais tarde a Juventus de Conte, mais-que-tudo do actual calcio, que não esperava por tropelias de Gaitán e Lima nesse 2-1 da Luz que se revelou essencial para o jogo da volta em Turim, palco onde seria disputada a final da ‘Champions dos pobres’.

 

Num jogo disputado até dizer chega, o Benfica viu-se privado de Enzo, Sálvio e Markovic para a negra. Cartões para aqui e para ali, a defesa inamovível, imperial, a equipa a trabalhar no campo todo e a ser recompensada pela determinação (e fortuna, porque não?!).

Estava ultrapassado o último obstáculo. Tal como nos anos 60, o Benfica estava presente em duas decisões continentais consecutivas. Correcção: nos anos 60 houve presenças E vitórias. Em 2014, tal como em 2013, houve apenas Pontualidade. Aproveitamento? Não se viu.

A sorte, que tanto jeito deu na primeira visita do Benfica a Turim, revelou-se madrasta para Jesus frente ao Sevilha de Carriço, Beto, Mbia, Rakitic e Bacca. Carriço, o trinco, não Carriço o defesa-central!

 

Importa apenas dizer que o Benfica, em 57 jogos oficiais ao longo de uma desgastante época, perdeu cinco. Dois deles, como já foi dito, frente a Marítimo e Porto. Os outros dois, frente a PSG e Olympiacos. O que falta foi na Taça da Liga, who cares?!

Excelente performance interna que não teve eco numa Europa que se ia familiarizando com os nomes de Rodrigo, André Gomes, Lima (fartou-se de ‘aquecer chouriças’ na Europa), Cardozo, Siqueira, os ‘centrais goleadores’ Luisão e Garay, Markovic, Gaitán, Sálvio (o talismã que não jogou em Turim!), enfim, um onze-base pronto para qualquer batalha. Com Enzo Pérez na ‘casa das máquinas’ era difícil que algo pudesse correr mal. Amorim podia sempre ser chamado (o passe para Rodrigo no White Harte Lane!). André Almeida também tirava rapidamente o fato de treino. A brigada sérvia pós-Matic (Sulejmani, Djuricic, Fejsa para ‘consumo interno’) não sabia o que era jogar mal. Ivan Cavaleiro. Vedetas não. Uma equipa sim.

(para ver um documentário completo sobre os bastidores do Triplete do Benfica clique AQUI)

 

Uns meses depois, metade desta gente foi toda embora…

 

ESSA COPA LINDA… TUA COPA LINDA…

Já muito foi escrito pelo Entre sobre cééénas e mambos que se passaram pelos Brasis. Vamos por bullets que é mais fácil:

 

. essa treta dos ‘Super Guarda-redes’ é areia para os olhos. De todos os que foram comprados, apenas um é titular absoluto da sua equipa: Claudio Bravo, do FC Barcelona;

. muitos bilhetes ficaram por vender. Os confrontos pré (e anti-Copa) levaram a milhares de desistências de última hora. Tanto Americanos como Ingleses (quem mais viajou e quem comprou maior número de bilhetes para jogos) preferiram o sofá a Manaus;

. ficou a clara sensação que o Brasil, para os anos que faltam, terá um enorme trabalho pela frente. Momentos de infantil desconcentração não são admissíveis numa equipa que quer ser a melhor do Mundo: o jogo contra a Alemanha ficará para a História como um dos mais incríveis banhos de bola do Futebol Internacional;

. a Europa, toda ela crises de identidade política e económica, não fez grande figura pela América do Sul: confiou na Alemanha do costume, no resto houve alguns bons momentos (a Inglaterra jogou como nunca, ficou pelo caminho como sempre), o HolandaxEspanha, a França (de quem se esperava mais contra os Alemães), a velhinha Itália, o triste Portugal, ninguém esteve à altura do que supostamente seria expectável;

. factores como as altas temperaturas e as deslocações vieram à baila quando na África do Sul a final até foi disputada por duas equipas Europeias;

. na América do Sul, o Brasil nunca deu mostras de jogar como equipa. Foi atrás de Neymar e da liderança de Thiago Silva;

. o Chile mostrou, uma vez mais, porque tem sido um osso duríssimo de roer. É uma Selecção em crescimento constante, que se bate de igual para igual com selecções Campeãs (Espanha, Itália, Brasil). Não fosse aquela bola na trave e o Brasil evitaria ser vexado contra a Alemanha;

. a Argentina, num estranho esquema com jogadores de segunda, a jogar por vezes um futebol de terceira, deu aulas tácticas aos Europeus. Mascherano a armadilhar a criação adversária, Di María, Messi e um (desinspirado) Higuaín tratavam de moer o juízo às defesas contrárias. Destaque óbvio para Ezequiel Garay no eixo e a surpresa Marcos Rojo na esquerda, tanto a defender como a atacar;

. quanto a Portugal, nada de novo. O jogo de entrada que nunca soubemos interpretar nem valorizar, o segundo jogo no qual nunca houve cabeça e, para a despedida, talvez a única vez em que merecemos pisar aqueles palcos, contra o Gana. Paulo Bento mostrou porque nunca foi um treinador habituado a ganhar. Pior, mostrou porque nunca foi Um treinador. Se calhar é mais isso. Tristes figuras com jogadores datados (o meio-campo que passou à rasca a fase de apuramento e no qual raramente se mexia), cansados (Cristiano), deslocados (Nani, João Pereira) fizeram de Portugal não uma das desilusões, antes uma certeza no voo de regresso antes da hora;

. Portugal jogou um Mundial no Brasil como se tivesse ido ali à Mauritânia para um quadrangular. Não houve uma cerimónia solene que assinalasse a união linguística, a cooperação estratégica, quiçá económica, entre as duas Nações. Pior do que sermos ‘bichos do mato’, é termos demonstrado que estamos de costas voltadas… para nós próprios. Um país com vergonha nunca se dá bem. Absolutamente lamentável. Veja-se o que fez a Alemanha no sentido oposto. E são eles os ‘quadrados’ e os ‘antipáticos’?!

. o que dizer da Costa Rica, da Grécia? Do IrãoxArgentina, com uma exibição de encher o olho do goleiro de Alireza Haqiqi, ex-goleiro do Sporting da Covilhã?! Nunca poderão apontar ao Mundial 2014 ter sido enfadonho, bem longe disso: as equipas mostraram alegria a jogar, tanto criavam como abriam espaços, fazendo de qualquer ‘jogo menor’ um espectáculo dentro do espectáculo, com os estádios quase sempre cheios de cor e festa, ao bom ritmo brasileiro. Não houve uma estrela do torneio (houve Messi com o ar mais triste do Mundo) e isso é prova que todos deram o seu melhor, depois de épocas extenuantes;

. ficam alguns números: 171 golos, 2,67 por jogo, a maior média de sempre dos Mundiais; quase 3M de espectadores espalhados pelos 64 jogos da Competição, a maior assistência desde o USA 94; A média de mais de 52mil espectadores/jogo foi a mais alta em 20 anos de Mundiais; a Alemanha foi a Selecção com mais golos colectivos (15), a que melhor circulou a bola (média de passes curtos, médios e longos superior a 80%), o Brasil foi a equipa mais rematadora (111 remates) e os Estados Unidos consagraram-se como uma das defesas mais eficazes (27 defesas de Tim Howard, 21 roubos de bola e 19 remates ‘tapados’ pelos jogadores de campo); Neuer sofreu apenas quatro golos durante a Copa tendo feito um total de 25 defesas (média de 86% de eficácia), Müller correu mais de 83kms no somatório de todos os jogos e o BélgicaxEUA foi o jogo com mais ataques (total de 142);

. falar de Mundial 2014 sem referir o sprayzinho e a tecnologia de linha de golo é coisa de cafajeste!

 

LA DECIMA, LA DECIMA, LA P%TA DE LA DECIMA…

Dez treinadores e mais de um bilião e cento e cinco mil euros depois, o Real saiu à Cibeles para uma demonstração de força fora de Espanha.

 

O Real Madrid, quando alcança finais Europeias, raramente perdoa. Foi o que se viu ante o Valencia de Cúper, foi o que o prolongamento do jogo contra o Atlético de Madrid ditou.

 

Uma equipa em todo o campo, mesmo para os que ainda hoje olham para Cristiano como corpo e alma merengue. Cristiano não foi estrela solitária em Lisboa, longe disso. Tal como o Atlético, o Real fez das tripas corazón para levar La Decima para casa. Lutou, suou, sangrou e foi recompensado. Uma cabeçada depois da hora de Sergio Ramos atirou o jogo para o prolongamento, isto muito depois de Diego Costa ter saído lesionado no decorrer da primeira parte.

O Atlético pagaria a factura do Campeonato Espanhol sacado a ferros. Um onze ‘preso’, pouco rodado, nada podia fazer – aqui sim – contra o talento individual dos jogadores de Ancelotti, treinador que nos seus tempos de jogador roubou um caneco (La Septima) ao Real Madrid ao serviço do AC Milan. Um jogo impressionante de Di María, da contratação Gareth Bale (golos decisivos do galês, que duas semanas antes tinha ajudado a conquistar a Copa del Rey) e do improvável Marcelo deitaram por terra as aspirações colchoneras. Um jogo de nervos, um prolongamento emocionante, a fazer lembrar finais de décadas passadas.

 

O Atlético caiu de pé. O Real ganhou como conjunto. Cristiano foi mais um que ficou na fotografia de grupo. Se estrela maior houve durante a epopeia do Real, essa fala italiano. O jogo de volta em Munique, nas meias-finais, veio fazer cair os queixos de quem ainda tinha os olhos fechados: o Real já não tinha ‘dias sim’. Era uma equipa de alta rotação extremamente eficaz. Com a mira apontada na Champions… Seria apenas uma questão de tempo até o estilo de jogo se traduzir em títulos.

Quem quiser reviver a confirmação da hegemonia da BBVA, é só espreitar aqui ó

 

SEVILLA, LA CIUDAD ‘UEFERA’

O Sevilha sempre foi time de altos e baixos. Perdeu 3-7 com o Real Madrid e depois enfiou-lhes dois bocadillos. Contra o Barcelona foi derrotado por duas vezes, uma delas por 2-3 num dos melhores jogos da BBVA que já lá vai.

Vamos falar dos jogos contra o Valencia, porque esses também seriam decisivos para se abordar mais uma ‘final’ 100% Espanhola, a que opôs a equipa che aos da Andaluzia, pela vaga que restava na final da Champions dos pobres.

 

O Sevilha, em quatro jogos oficiais contra o Valencia, venceu apenas um. O Futebol tem destas coisas. A equipa pode nem ser a melhor, mas quando passa e vence o caneco de Final ninguém recorda quem ficou a meio caminho. Contra o Valencia, foi assim.

 

E Unai Emery, o chef da armada Andaluz, aprendeu a doer que a Liga Europa para o Sevilha é mais do que calendário, é chama que arde mais que flamenco local: “No jogo contra o Estoril soube o que era a Liga Europa para os andaluzes. É impressionante!”. Assim foi. Quase cinco mil adeptos do Sevilha viajaram até à Amoreira, ainda andava o Benfica a passear-se pela Champions dos ricos feito figurante.

Depois, foi o que se viu. Uma derrota apenas (contra o Valencia, por 3-1) desde os playoffs (sim, o Sevilha andou nisto da Liga Europa desde o Verão!) até ao primeiro de quatro jogos contra equipas Portuguesas. Primeiro o Estoril, que até conseguiu empatar um desses desafios. Bem mais tarde o FC do Porto, que conseguiria no Dragão arrancar uma vitória por 1-0, nos quartos-de-final.

 

Em Sevilha foi o 4-1 num FC do Porto já desmantelado e desprovido de amor próprio.  Antes disso, um 4-0 acumulado contra o Bétis dava sinais de uma equipa assente sobretudo na rigidez táctica e entrega total dos elementos mais operários (Mbia e Carriço na pancadaria e recuperação, Rakitic na distribuição da criação) que podia sonhar alto, já que depois do milagre do Mestalla tudo seria possível. O Benfica tinha mais desequilibradores. Mas alcançou a sua final graças a uma defesa quase intransponível. As meias-finais de ambas as equipas atestam-no: Mbia e Luisão foram decisivos para a negra de Turim.

 

Tempos houve em que finais da Liga Europa eram tratados futebolísticos de beleza ímpar… o LiverpoolxAlavés, mesmo o CelticxPorto foram jogos de uma intensidade invulgar, um confronto de estilos em que a cerimónia ficava dentro do balneário. No relvado, joga-se para ganhar, desde o pré-aquecimento até ao último apito do árbitro.

 

Não foi o que se viu durante a primeira metade do SevillaxBenfica. Um jogo em que os Benfiquistas repetiam presença, cujo Estádio até conheciam, uma Final que se exigia vencida, porque este era o Sevilha de Coke e Vitolo, não o Chelsea de Ivanovic e Torres…

 

O Sevilha nunca se deixou dormir perante algum nervosismo encarnado. Apostado em esconder jogo, assumindo-o de forma directa para o goleador Carlos Bacca que espalhou experiência. O Benfica, repetidamente travado por Beto, via-se mais lento de processos e cansado na pesquisa de soluções. O Sevilha, esse, jogava tudo numa Competição bem mais sua e isso sentia-se a cada iniciativa de Coke, Bacca, Mbia. Jogadores talhados para o confronto físico, resistentes e sobretudo mais crentes na causa da Taça do que os ‘Portugueses’ (3 para 3, contando com Diogo Figueiras no Sevilha que mais tarde se juntou a Beto e Carriço durante o prolongamento).

 

Houve oportunidades. O Sevilla dispôs de soberanas chances que desperdiçou, o Benfica bem que castigou Beto (Lima, Maxi, Rodrigo, Gaitán) mas não seria o dia que tantos esperavam.

Durante o prolongamento, Jesus lançou André Almeida (que substituiu um Siqueira de ‘expulsão perdoada’), Cardozo e o pobre Ivan Cavaleiro a dois minutos do fim. Respondia na mesma moeda Emery, com Figueiras, Marin e Kevin Gameiro. Ninguém estava ali para perder o jogo. Agora… era tempo de lotaria.

 

Who’s ‘da’ best?

 

DICEN QUE ESTAMOS LOCOS DE LA CABEZA!

O clube do Papa (o que mora no Vaticano, não o Emiliano) até era conhecido, na brincadeira, por Club Atlético Sem Libertadores da América, uma alusão à sigla oficial (CASLA) que hoje já não faz qualquer sentido pois o San Lorenzo é o actual detentor dessa ‘Champions Sul-Americana’.

Quanto ao Nacional, do Paraguai, que nunca tinha passado a fase de grupos (!), ainda deve estar a pensar que… o Papa quis que assim fosse.

 

Terá sido mesmo uma questão de fé pois o San Lorenzo nem um jogo fora foi capaz de ganhar durante a sua campanha continental. A caminho da final, historicamente disputada a duas mãos, despachou o Grémio nos pénaltis, o Cruzeiro nos golos fora (0-0 e 1-1) e atreveu-se a perder com o Bolívar (5-0 e 0-1), marcando encontro com o Nacional, um clube também virgem deste caneco.

 

Quem viu a final viu Futebol Sul-Americano no seu… bem, viu Futebol Sul-Americano, sem dúvida, pois o San Lorenzo provou que foi grande jogando à Farense. Marcou de penalti e depois foi esperar, esperar e esperar. Porque um clube que espera 106 anos até pode ser que alcance. Foi o que aconteceu no Nuevo Gasómetro.

Coronel, zagueiro do Nacional, fez uma mão tótó num lance panhonha para a sua equipa e estendeu o tapete à equipa argentina, que se limitou a guardar vantagem depois do 34º minuto de jogo. Esse penalti sagrado. Esse calcio di rigore encomendado por Abraão!

 

No final dos 90, choraram paraguaios, cansados de pressionarem e de verem o goleiro Torrico saltar a todas as bolas e mais algumas.

Sorriram os argentinos do San Lorenzo, clube fundado em 1908, que faz parte da galeria dos ‘grandes’ da terra de Maradona e Mauro Airez, ao lado do Boca Juniors, do River. do Independiente e do Racing. Até à decisão com o Nacional, era o único destes sem a Libertadores.

 

É bom ser o clube do Papa, não é?!

 

O golo ‘abençoado’

 

Imaginem a final em Lisboa com este ambiente, já agora!

Manuel Tinoco de Faria

No Comments

Optimization WordPress Plugins & Solutions by W3 EDGE